Jornalista Ruandês foi raptado por Agentes da PRM



Num espaço de um mês o Presidente da República de Moçambique Filipe Nyusi encontrou-se duas vezes com o seu homólogo Ruandês, Paulo Kagamé. O primeiro encontro relâmpago teve lugar a 28 de Abril último, em Kigali, a Bela e Limpa Capital do Ruanda, onde o estadista Moçambicano ia fazer consultas para observar a experiência daquele país no combate ao terrorismo.

"Tivemos uma discussão sobre a experiência do Ruanda no combate ao terrorismo e extremismo violento", revelou o Presidente Nyusi, em nota enviada à comunicação social, qual explicava que "o Ruanda tem um papel importante na África Central, por isso quisemos perceber como tem sido a experiência".
Dia depois deste encontro, enquanto Moçambique vincava que não iria aceitar presença de militares da SADC em Cabo Delgado, a solução Ruandesa para o conflito naquela região do país já estava em marcha, com o envio de uma missão de oficiais de exército daquele país para fazer levantamento das necessidades no terreno e avaliar possível auxílio na luta contra Jihadistas.

O segundo encontro teve lugar à margem da Cimeira França-África, onde os dois estadistas voltaram a falar sobre a situação política e economia nos seus países e a questão dos desafios de segurança voltou a ser colocada em cima da mesa, mas nunca foi revelado qual é o acordo.

Sucede porém que, de acordo com o site African Inteligence, 30 oficiais superiores de exército ruandês que visitaram Pemba, Capital da Província de Cabo Delgado, entre 7 e 9 de Maio tinham como objetivo conversar com responsáveis militares Moçambicanos, com o objetivo final de envio de tropas daquele país no teatro operacional norte (TON) tal como os encontros, que tem estado a acontecer envoltos a um grande secretismo, os prováveis acordos entre os dois Governos nunca foram revelados, o que faz a Comunidade Ruandesa em Moçambique suspeitar que o regime de Kagali possa estar interessado em apoiar Moçambique na luta contra o terrorismo, em troca de ajuda na perseguição Extra Legal dos seus opositores políticos internos exilados no nosso país, em fuga contra um Governo conhecido internacionalmente como sendo repressivo.

Isso acontece numa altura em que acaba de sumir misteriosamente um Jornalista Ruandês que estava exilado na zona de Inhaca, uma ilha adentro á Cidade de Maputo, o que reabre o livro de episódio de violência, raptos e assassinatos de cidadãos ruandeses em Maputo.
O último atentado contra um Ruandês data de 2019 quando foi assassinado antigo presidente da Associação dos Ruandeses Refugiados em Moçambique.

No país os Ruandeses tem sua Secreta inflitrada em vários ramos de atividades, e houve tempos em que chegou-se a acreditar que havia um esquadrão da morte por causa da frequência dos incidentes.

Jornalista Ruandês terá sido levado por Agentes da PRM e um seu compatriota

De acordo com a Associação dos Ruandeses Refugiados em Moçambique, no dia 23 de Maio o jornalista Ntamuhanga Cassien, que se encontrava exilado na Ilha de Inhaca Maputo, desapareceu depois de ter sido levado por oito indivíduos desconhecidos que se apresentaram como Agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM), num grupo que incluía outro cidadão do Ruanda que se expressava na mesma língua local do visado.

Ntamuhanga Cassien, de 37 anos, foi Jornalista e director da rádio cristã Amazing Grace, em Kigali e veio a Moçambique queixando-se de perseguição política por parte do Regime do Presidente Kagamé.
O Ruandês desaparecido chegou a Moçambique a dois anos, após fugir da prisão onde havia sido condenado a 52 anos de prisão maior na sequência de perseguição de que foi supostamente vítima, em Moçambique tinha o estatuto de exilado e exercia a sua atividade comercial na Ilha de Inhaca.
"A ARRM, encetou diligências no sentido de saber mais informações sobre o visado porém sem sucesso, ninguém sabe dizer para onde o mesmo foi conduzido, desconhecendo-se o seu paradeiro até a presente data, receando-se que torne o mesmo destino dos seus ex-colegas jornalistas e activistas sociais, e da sua família que foi exterminada pelo Governo de Kagamé, visto que, os jornalistas Ruandeses ligados ao Governo pronunciaram-se nas redes sociais no passado dia 24 de Maio do corrente ano, alegando que o Governo Ruandês aguarda a extradição do visado", acusa a Comunidade daquela Associação, indicando alguma cumplicidade do Governo de Filipe Nyusi.

Este último episódio fez soar os alarmes da Comunidade Ruandesa em Moçambique que, há muito vêm se queixando de existência de esquadrões da Morte no país aliás, no seu comunicado a Associação dos Ruandeses Refugiados em Moçambique diz-se preocupados com alegados casos de detenções arbitrárias de cidadãos ruandeses em Moçambique.

"Vimos requer urgente do Governo Moçambicano, na qualidade de Estado de Direito Democrático, das organizações da sociedade civil e demais entidades que velam pelos direitos humanos uma vez que o refugiado tem direito a ser protegido. A ARRM está preocupada com as actuações ilegais verificadas pois, verificam-se detenções extra judiciais dos Ruandeses que ferem gravemente com os acordos internacionais de defesa dos direitos dos refugiados, o que coloca em causa a segurança jurídica e proteção dos refugiados", denúncia.

Tentamos sem sucesso ouvir o Comando Geral da PRM no entanto segundo a Agência Lusa, a corporação, através do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), não há qualquer detenção e esclarecem que não há registo de qualquer queixa sobre o desaparecimento ou rapto de um estrangeiro.

Alguns casos que chocaram Maputo

Um dos casos mais sonantes da aparente perseguição de opositores do Regime de Kagali em Maputo teve lugar em 2012, quando famosos esquadrões da morte Ruandeses assassinaram Théogene Turatsinze, que na altura era vice reitor da Universidade São Tomás, depois de ter sido raptado em Maputo.
O seu corpo foi encontrado a flutuar numa praia de Maputo e as informações postas a circular na altura apontavam para uma possível conspiração política, por detrás da morte de Turatsinze, tendo como motivo de fundo, o facto de ser portador de informações cruciais de um saquê financeiro protagonizado no Banco Ruandês Desenvolvimento (RDB), instituição de que foi diretor, entre 2005 e 2008.
Segundo informações a que tivemos acesso durante a sua direção no Banco RDB, teria entrado num Rombo financeiro, originado por saques destinados aos negócios da Frente Patriótica do Ruanda (RPF), partido no poder e liderado por Paulo Kagamé.

Outro caso que chocou Maputo foi o assassinato do Presidente da Comunidade Ruandesa em Moçambique Luís Baziga que foi crivado de balas na Cidade da Matola no seu Jeep todo terreno, mas não foram esclarecidas as motivações.

Dados oficiais indicam que existem em Moçambique três mil Ruandeses, entre eles Refugiados, requerentes de exilo e outros com cidadania regularizada e há muito que a Associação vem se queixando de perseguições, raptos e assassinatos supostamente perpetrados pelo regime do Kagamé.

Recentemente, a Human RIGHTS WATCH (HRW) acusou as autoridades Ruandesas de intolerância e represalias abusivas contra os críticos. O Governo de Ruanda é acusado por várias organizações de defesa dos direitos humanos de detenções extrajudiciais, repressão de opositores e ataques aos meios de comunicação social.
(Evidências)

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