FRELIMO é que mandou queimar a Fábrica de Descasque de Castanha de Caju em Namacurra




Família Dhlakama considero minha família também.

Eu Sidônio António, entrei nas fileiras da RENAMO em 1986. 
 Um certo dia estava na Escola em Malinguine no Distrito de Namacurra, vi com meus olhos os militares da RENAMO quando apareceram e raptaram muitos jovens para vida militar. E no dia que foi queimado a Fábrica de Descasque de Castanha de Caju de Namacurra, eu estive presente e se alguém vos contar que foi a RENAMO que incendiou a Fábrica é uma pura mentira, porque na altura a minha tia casava-se com um militar da FRELIMO de nome Jaime, natural de Namacata, foi ele que incendiou com três tiros de Bazuca a Fábrica,  eu estive com ele, me mandou fechar os ouvidos e abrir a boca. Ouvi barulho de tiroteios, dois por três vejo a fábrica a pegar fogo. Na verdade a intenção dele era de destruir completamente os homens armados da RENAMO que estavam no interior da fábrica, no segundo piso a descarregar sacos de castanha de caju mas não foi possível, o Guarda costa do meu tio foi morto neste dia, e eu a tentar fugir dos homens armados da RENAMO, por ser miúdo fui capturado e levado para a Base de Alfazema, Morrumbala. Naquela base você poderia acabar 2 anos sem conhecer a Base principal, lá em Morrumbala tinha muitos controles e Bases.
O primeiro grupo que havia sido raptado em Malinguine para as fileiras da RENAMO, estava a minha vizinha de nome Ana, a tal Ana por sorte casou com o General Elias Dhlakama, nas suas vigílias, a dona Ana me viu e lembrou que éramos vizinhos. Um dia decidiu vir na base onde eu estive, na altura me encontraram na sala de aula, num Cajueiro.
Os professores que nos davam aulas, eram aqueles que haviam sido raptados em Malinguine, a dona Ana e o esposo Elias Dhlakama me chamaram, fui e me disseram para que eu arrumasse a minha mala para ir viver com eles, na verdade eu não tinha nenhuma mala, fui viver com eles, e continuei com os meus estudos.
O que me levou a ser confiado na família Dhlakama foi a Matemática, apareceu um Instrutor de nome Nharrugue acompanhado por um Comandante de nome Manuel Almoço para assistirem as aulas na sala onde eu estava, logo o professor deu um exercício muito difícil para outros e fácil para mim que era: 3X5, fui ao quadro resolver e acertei. Logo fui selecionado como um dos melhores alunos da sala mas não sabia exatamente qual era o propósito da visita daqueles Senhores. Depois de terminar as aulas fui para casa, o General Elias quando largou do serviço veio em casa e me disse que eu deveria ir aos treinos militares, chorei muito, chegando o dia da verdade, acabei aceitando a proposta.

O meu primeiro combate foi em Luala, lá havia um controle muito forte mas nós fomos destruir, quando destruímos, eu recuperei uma Arma pesada chamada Peça, um tipo de arma que levava rodas. Na mesma semana apareceu o Presidente Afonso Macacho Marceta Dhlakama na Base, na formatura eu era o único miúdo daquele batalhão, o Presidente chamou o Comandante Manuel Almoço e perguntou: Porquê é que este miúdo está neste batalhão? O Comandante Manuel respondeu dizendo: Ele não é miúdo, o miúdo que o Senhor refere é o mesmo que nos trouxe esta arma pesada. O Presidente Afonso Dhlakama me olhou e me atribuiu um nome que não posso revelar.
Passado um ano, apareceu um Movimento tradicional de nome Bwaramwa, que tinha seu General curandeiro, este líder curandeiro não era atingido por balas juntamente com os seus homens.
Numa das batalhas vimos miúdos que na altura eram da minha idade amarado uma vingança com fitas vermelhas na cabeça, portavam Azagaias e Catanas, não usavam armas de fogo mas vinham ao nosso encontro para nos atacar, nós como estávamos armados começamos a disparar para eles de baixo para cima até nossos carregadores acabar, mas não eram atingidos por balas e continuavam a vir sem recuar ao nosso encontro, fugimos. Depois dalí vieram também em Muaquiwa onde fizeram "Massacres", e a informação chegou aos ouvidos do Presidente Dhlakama, ele não gostou, ordenou para que se matasse o tal General daquele movimento e levar a cabeça como prova.

Nós preparamos uma ofensiva militar contra os Homens daquele movimento para a captura do seu General Manuel António Bwaramwa.  No dia 14 de Agosto de 1992 numa Sexta feira, entramos no Posto Administrativo de Macuse, vasculhamos as matas mas foi muito difícil encontrar eles, a nossa saída, nos dividimos em grupos de acordo com a nossa estrategia militar. O grupo onde eu estava, passou num certo caminho que sobressaía na Localidade de Forquilha, isso foi as 13 horas, nos deparamos com o primeiro grupo daquele movimento, daí começamos o combate e depois fomos descansar numa árvore.
Por nossa sorte, apareceu o General Manuel António Bwaramwa, líder daquele movimento sozinho, e dissemos que é desta vez ou nunca que vamos matar o homem e apresentar a cabeça ao nosso Líder Dhlakama.
Ele veio ao nosso encontro com a sua magia negra mas nós prontamente assaltamos o homem e matamos, querendo carregar o corpo para a nossa base, vieram os seus homens e nós largamos e voltamos a base e reportamos ao Presidente Dhlakama que a missão foi comprida. De salientar que nesta ofensiva recebíamos um reforço de 30 homens de Gorongosa.

Por isso digo e direi  sempre que o Saudoso Presidente Afonso Dhlakama foi um homem corajoso, não temia ninguém, ele dizia sempre que mesmo serem perseguidos por inimigos não tenham medo, vão ao encontro deles até vencerem a batalha.
Caros Membros da Família RENAMO, sejamos Dhlakama para sempre.

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