Desafios da imprensa no dia-a-dia

 

Neste Domingo, 11, é comemorado o Dia do Jornalista moçambicano.

Mais do que homenagear os profissionais da área, a data é momento de reflexão sobre os embates e desafios que a imprensa moçambicana vem enfrentando no dia-a-dia. Pensando nisso, o Jornal Democrático revela quais as principais dificuldades da profissão, pautado pelo depoimento de jornalistas cadastrados em sua base.

Para o Jornal, produzimos acção com repórteres e editores em todas as províncias, que responderam os principais desafios que reconhecem na actividade jornalística. A maior parte dos depoimentos destacou como dificuldades os baixos salários, extenuante carga horária na jornada de trabalho e deficiência da liberdade de expressão.

“Salários ruins, fechamento de meios de transporte e consequente falta de vagas no mercado. Os que ficam nas redacções estão sobrecarregados, acumulando cargos e horário”, declarou um profissional do Jornal o País. Uma jornalista do Canalmoz destacou “a falsa liberdade de expressão que é oferecida ao jornalista, já que muitas vezes a liberdade esbarra nos interesses dos Governantes”.

Entre as dificuldades, também foram mencionados assuntos como aproximação dos profissionais da imprensa com lideranças políticas. “Como jornalista interior, vejo que a maior dificuldade para quem é jornalista em Moçambique está nesta aproximação indecorosa da comunicação com o poder. Existe muito ‘jornalista’ no país vendendo imagem e opinião, sem falar na vinculação de outros tantos com ideologias e partidos políticos”, disse o jornalista José Paulo.

O PCA do Jornal Democrático de Moçambique Sacul Cardoso afirma que as principais dificuldades em exercer o jornalismo em Moçambique são a “espetacularização da notícia, ausência de profissionais jornalistas independentes nas grandes corporações da mídia, o engajamento político-partidários das grandes empresas de comunicação, a falta de observância, ou até mesmo o total desprezo pelos princípios clássicos do jornalismo”.

A proliferação de fake news e o sensacionalismo também foram apontados. No julgamento dos profissionais participantes da acção, este tipo de notícia fere a ética jornalística e acarreta na falta de credibilidade da classe diante do público consumidor de notícia, prejudicando os aqueles que fazem trabalho sério.

Dificuldade no mercado de trabalho

 “A maior dificuldade é o mercado de trabalho, sem oportunidades para profissionais capacitados e mais experientes, principalmente após a desregulamentação da profissão, não se exigindo mais a formação académica”, disse o jornalista Paulo Juvêncio.

Jornalista do Jornal O País, que preferiu falar em anonimato falou sobre a importância do diploma no trabalho da imprensa. “Acredito que hoje, além da dificuldade de reconhecimento da importância de uma graduação para exercer a profissão – o que implica em grande quantidade de pessoas actuando sem muitas vezes sequer terem qualificação para tanto – um dos principais desafios está relacionado ao cumprimento das directrizes trabalhistas no que se refere à carga horária, conquista de salário digno e mesmo de condições de trabalho”, declarou.

 “O jornalismo investigativo, de apuração e de reconhecimento não tem direito a segurança do Estado, ainda que estejamos mergulhados num dos mais difíceis períodos históricos do nosso país”, declarou a profissional na acção do Dia do Jornalista.

Josina disse, ainda, que a situação leva a outra questão preocupante: a precarização do trabalho do jornalista. “Para a ludicidade, para o divertimento, parece que não se necessita de muito pensamento crítico. Então, qualquer um pode exercitar jornalismo dessa natureza. A mídia comercial nos encaminhou para um beco sem saída. Há que se ter uma ‘pauta única’, mas ela deve ser leve, prosaica, os jornalistas devem poder produzir narrativa que se encaixe em qualquer horário, dispositivo e formato”.


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Ed. Sacul Cardoso

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